sábado, 6 de março de 2010

Nunca mais


Nunca mais

Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.

Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa.
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste:
A plenitude de cada presença.

E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência


Sophia de Mello Breuner Andresen,
Antologia, Moraes Editores

quinta-feira, 4 de março de 2010

Receita para fazer um herói


Receita para fazer um herói

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.

Reinaldo Ferreira,
in Poemas, Portugália

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Silêncio!


O silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade,
in Obscuro Domínio

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Preto e branco!


A realidade não é a preto e branco!
Há milhares de cambiantes intermédias.

A realidade é como é, mutável, e não como nós desejamos que seja!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira.

 
A minha total solidariedade com as famílias enlutadas.

Olhar


XX

Não, não é ainda a inquieta
luz de março
à proa de um sorriso,
nem a gloriosa ascensão do trigo,

a seda de uma andorinha roçando
o ombro nu,
o pequeno e solitário rio adormecido
na garganta;

não, nem o cheiro acidulado e bom
do corpo depois do amor,
pelas ruas a caminho do mar,
ou o despenhado silêncio

da pequena praça,
como um barco, o sorriso à proa;

não, é só um olhar.

Eugénio de Andrade, 
in Branco no Branco

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Face oculta!

 

Todas as "coisas" têm duas faces, a visível e a oculta.
E cada face é multifacetada.
É indispensável aprender a ver a face oculta.
A face oculta, como nos icebergues, é bem maior do que a visível.

É indispensável ver para além das aparências.
Se quisermos ser felizes!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Partida ou chegada?


Fado

Hoje a grande desgraça não fui eu:
Foi um velho navio que partiu
E me deixou no cais
Sem nenhum sonho mais.

Miguel Torga, 
in Poesia Completa, Volume I

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Renascer!


A vida é assim!
Renascer, ou melhor, continuar!
Um pequeno esforço e postarei o que sinto!
Se sentir!
Quando será?