domingo, 28 de fevereiro de 2010

Silêncio!


O silêncio

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

Eugénio de Andrade,
in Obscuro Domínio

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Preto e branco!


A realidade não é a preto e branco!
Há milhares de cambiantes intermédias.

A realidade é como é, mutável, e não como nós desejamos que seja!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tragédia na Madeira.

 
A minha total solidariedade com as famílias enlutadas.

Olhar


XX

Não, não é ainda a inquieta
luz de março
à proa de um sorriso,
nem a gloriosa ascensão do trigo,

a seda de uma andorinha roçando
o ombro nu,
o pequeno e solitário rio adormecido
na garganta;

não, nem o cheiro acidulado e bom
do corpo depois do amor,
pelas ruas a caminho do mar,
ou o despenhado silêncio

da pequena praça,
como um barco, o sorriso à proa;

não, é só um olhar.

Eugénio de Andrade, 
in Branco no Branco

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Face oculta!

 

Todas as "coisas" têm duas faces, a visível e a oculta.
E cada face é multifacetada.
É indispensável aprender a ver a face oculta.
A face oculta, como nos icebergues, é bem maior do que a visível.

É indispensável ver para além das aparências.
Se quisermos ser felizes!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Partida ou chegada?


Fado

Hoje a grande desgraça não fui eu:
Foi um velho navio que partiu
E me deixou no cais
Sem nenhum sonho mais.

Miguel Torga, 
in Poesia Completa, Volume I

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Renascer!


A vida é assim!
Renascer, ou melhor, continuar!
Um pequeno esforço e postarei o que sinto!
Se sentir!
Quando será?

domingo, 21 de dezembro de 2008

Inverno e FIM!



O INVERNO chegou! Este Blogue termina!

Agradeço a todos os amigos que visitaram este blogue e, nomeadamente, aos que decidiram enriquecê-lo com os seus comentários.

Bom Natal e 2009 ecológico, preservador do ambiente e cheio de felicidades!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Corpo habitado.

Obra 22
Carla Gonçalves

Corpo Habitado
Corpo num horizonte de água,
corpo aberto
à lenta embriaguez dos dedos,
corpo defendido
pelo fulgor das maçãs,
rendido de colina em colina,
corpo amorosamente humedecido
pelo sol dócil da língua.    
Corpo com gosto a erva rasa
de secreto jardim,
corpo onde entro em casa,
corpo onde me deito
para sugar o silêncio,
ouvir
o rumor das espigas,
respirar
a doçura escuríssima das silvas.    
Corpo de mil bocas,
e todas fulvas de alegria,
todas para sorver,
todas para morder até que um grito
irrompa das entranhas,
e suba às torres,
e suplique um punhal.
Corpo para entregar às lágrimas.
Corpo para morrer.  
Corpo para beber até ao fim -
meu oceano breve
e branco,
minha secreta embarcação,
meu vento favorável,
minha vária, sempre incerta
navegação.    
in Obscuro Domínio
Eugénio de Andrade