No Museu Guggenheim, em Bilbao, que Frank Gehry concebeu como uma verdadeira obra de arte vanguardista, vi uma retrospectiva de um escultor/pintor espanhol, Juan Muñoz, que me impressionou fortemente.
Todas as peças e quadros, mas particularmente uma escultura que era composta por dois homens monocromáticos, com máscaras de cartão vulgar que só tinham dois buracos no lugar dos olhos. Os homens encontravam-se virados para a parede onde estava colocado um espelho que também fazia parte da peça escultória.
Claro que o espelho reflectia os homens com as máscaras. O mundo circundante e os próprios não viam as suas caras, só as máscaras.
Incomunicabilidade? Receio de mostrar o verdadeiro eu? Necessidade de introspecção?
Senti tudo isto quando, incomodado e levemente angustiado, fiquei vários minutos especado, a olhar para a peça, sem abrir a boca!
Será que somos sombras mascaradas, passageiros perdidos, na escuridão dos dias?
Ou, com esforço, poderemos encontrar a tranquilidade interior e o afecto partilhado, construído e reconstruído no dia a dia, alimentado de trocas, que nos mobilize para a beleza luminosa dos dias?
Cão florido na entrada do Museu Guggenheim Bilbao (última etapa)
Depois de uns dias navegando no alto mar europeu, com muitos moinhos e diques, cheio de "bom tempo", tendo de usar, por vezes, roupa de fim de Inverno, regressei, morrendo de calor, mas fazendo uma entrada suave no meu porto seguro, que o meu piloto de barra é experimentado.
Sim, um porto seguro, para ser bem seguro deve ter um piloto de barra!
Tolerante, disponível, compreensivo, de afecto absoluto e incondicional!
- Mas isso é utópico! dirão.
Pois é, mas se não procuramos o impossível como poderemos obter o possível que “estabilize” a viagem, cheia de escolhos, por esta vida?